Ele Stasabendo: Raphael Barreto sem cortes.

Raphael Barreto

Muito loco e muito correto, Raphael Barreto, em entrevista exclusivíssima ao Stasabendo.com

Esse é uma figura. Assino em baixo escandalizando ou não. Lá vai:

RaphaBarreto é Diretor de Planejamento da DPZ. Antes, da Loducca. Antes disso, trabalhou na Carillo Pastore EuroRSCG e Ogilvy. Antes disso ainda, trabalhou em marketing na Sony, Aiwa e Champagne Veuve Clicquot. Antes Antes Antes, foi de office boy até empacotador de livros (longa história).

1. Na sua carreira, o que mais influenciou para a posição de planejador que vc tem hoje no mercado brasileiro?

Entendendo, então, a pergunta como “o que te influenciou para ser planejador?”, vamos lá. (raphamala MODE ON)

Eu percebi, há muito tempo, que cada pessoa pensa diferente da outra (gênio!). Mas nem tanto (mais gênio ainda). Temos, sim, comportamentos de manada, mas também somos indivíduos. Há, portanto, pontos gigantescos de intersecção da nossa raça – instintos básicos e outras camadas – , mas distinções proporcionalmente abissais. Como na velha história de que uma banda é incrível pra mim e nada pra você. A fé de um, é a bobagem do outro e assim por diante. Isso me intriga deveras. Assim como o amor e a afeição – válido para marcas e produtos. Daí, encontrei um trabalho que posso pensar nisso (quase) o tempo inteiro. É ótimo.

2. Qual sua dica para gerar o melhor insight?

Entender que você é pequeno, medíocre até. Respeite sua ignorância. Planejadores se acham a coisa mais inteligente que já apareceu na propaganda, enquanto, pra mim, são a próxima onda de egotrips da propaganda. Salve-se. Criar é um ato de humildade e devoção. Mas respondendo de maneira menos polêmica, eu diria que um insight é gerado pela mistura de uma boa dose de paciência, curiosidade e obstinação. Li outro dia que Einstein, sim, era gênio, mas que se tornou imortal porque foi obcecado durante anos por uma única pergunta: o que é energia? (ou “o que era luz?”, não me lembro – enfim, são a mesma coisa em alguma esfera). O que quero dizer é: o melhor insight é fruto da sua capacidade de não desistir em encontrar algo realmente retumbante. A verdade é que você e todo mundo sabe quando está diante de algo assim. Mas as pessoas param antes, muito antes, daquele palavrão espontâneo e feliz (nunca vi ninguém falar “Eureka!” na minha vida). Enfim, a dica é: continue. Seu estômago te dirá quando você chegou lá.

3. Como a criação da agência enxerga seu papel no processo criativo?

Meu papel é ser mais um. Só. Alguém que não disputa um pedaço, mas que participa do todo. Outro jogo de palavras? Me explico: eu só tento ajudar o grupo inteiro a ver melhor as coisas, encontrar um jeito novo de olhar para a mesma coisa. Isso é difícil. Quando você só quer ajudar (e não disputar nada), as pessoas – até criativos – te aceitam no grupo. E pronto: você faz parte do processo criativo. Ah, e claro, ajuda quando eu não cago um montão de regras e respeito o trabalho dos outros. Eles são dedicados e obstinados. Respeite isso.

4. O que você curte fazer quando sobra tempo para não trabalhar?

Eu danço. Bebo. Beijo. Transo. Leio. Escrevo. Ando. Durmo. Visito minha mãe. O que você esperava?

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